Arquivos diários: 20 de agosto de 2018


DEMOCRACIA EM RISCO

Um fantasma ronda às democracias.

A descrença se abate.

Baixa é a qualidade dos candidatos a dirigentes públicos.

Os candidatos, aqui e por toda a parte, se mostram despreparados e falastrões.

Já não se encontram, no mercado político, estadistas.

Talvez, consequência da ampla exposição pelos meios de comunicação.

Quem sabe fruto do despreparo causado pelo mau ensino das escolas.

Pode ser produto da massificação própria das sociedades urbanizadas.

Múltiplas, pois, as razões.

A realidade política aponta para o desengano coletivo.

Ninguém acredita em políticos.

Independe a ojeriza da cor partidária.

Todos – em graus diferentes – merecem rejeição.

Claro, uma sociedade não pode subsistir sem dirigentes.

O ideal dos anarquistas – o fim do Estado – jamais foi alcançado.

Todas as tentativas, com este objetivo, foram em vão.

Há uma maldição que recai sobre a humanidade.

A necessidade de contar com dirigentes.

Chefes que a conduzem.

O ato de dirigir exige esforços.

Precisa-se sair do atual atoleiro político.

A falta de perspectiva coloca em risco a nacionalidade, em momento de renascimento das nações.

O Brasil é privilegiado.

Conta com uma única língua entre seus nacionais.

Possui um imenso território.

Dispõe de inúmeros privilégios naturais.

Só falta a qualificação de seus políticos.

Perderam o brilho.

Tornaram-se opacos.

Medíocres.

Enfadonhos.

Todos semelhantes entre si.

Passaram-se trinta anos, após a promulgação da Constituição de 1988, regrediu-se em matéria política.

Ganhou-se, há trinta anos, documento constitucional extenso.

Perdeu-se, no entanto, na qualificação de nossos homens públicos.

Não se formaram – em plena democracia – estadistas.

Apenas assaltantes de cofres públicos.

Entre os candidatos, ora a presidente da República, os mais citados surgem como réus em foros criminais.

Há algo errado.

A legalidade é respeitada pela sociedade e desrespeitada pelos que a pretendem dirigi-la.

Um paradoxo.

Presente uma endemia de larápios públicos.

Eles precisam ser afastados.

Quem corre risco é a sociedade e seu oxigênio: a democracia.

É preciso salvá-la.

Pelo voto.