Arquivos diários: 13 de março de 2017


OUVIR À SOCIEDADE

O déficit de participação política impõe o exercício da democracia direta.

 

 

O que somos?

Muitos pensadores procuraram interpretar o Brasil.

A maioria deles de origem abastada ou, então, marcados por ideologias.

Poucos avançaram pela realidade contemporânea.

Sempre examinaram, de acordo com a época em que viviam, uma sociedade rural.

Esta se dissolveu nas grandes cidades que marcam o mapa nacional em todos os quadrantes.

Este crescimento doentio de nossas cidades tornou-as desumanas.

Sem dimensão humana.

Um macabro conflito entre as regiões consolidadas e as em ebulição – marcadas pela pobreza – apontam para uma doença endêmica.

A miséria e a riqueza não podem conviver harmonicamente.

Excluem-se e confrontam-se inevitavelmente.

Se este confronto não for físico – a mera agressão, o furto ou o roubo – torna-se psicológico.

Os dois polos produzem curto-circuito.

É inevitável.

Exatamente isto que se dá, hoje, por todo o território nacional.

Vidas antagônicas se desenvolvem lado-a-lado.

Nas pequenas comunidades do passado, encontravam-se presentes autoridades definidas: o juiz, o padre e o delegado.

Hoje, nos grandes centros, estas personagens se apagaram.

Já representam pouco.

O juiz fala uma linguagem inacessível às pessoas comuns.

O padre sofre a concorrência de outras figuras religiosas.

O delegado, proletarizado, apenas procura sobreviver.

Se tanto não bastasse, a televisão mostra-se avassaladora na invasão das mentes.

Uma fábrica de malefícios.

Viver, em uma sociedade desestruturada como a nossa,  é tarefa heroica.

Não sem motivo o aumento dia-a-dia do número de deprimidos e insatisfeitos.

Para coroar todo este panorama, ainda temos pela frente uma classe política, na maioria de seus membros, perversa.

Só pensam em seus próprios interesses pessoais e de sua clã.

O povo pouco importa.

As angústias sociais não atingem os políticos.

O Legislativo é composto de bons “palanqueiros”, interessados em preservar “boquinhas”.

Jamais pensam na  sociedade como um todo.

O Judiciário – ah! o Judiciário – tornou-se o gerador de ideias esdrúxulas.

Acompanhar uma sessão do Supremo Tribunal Federal é conhecer novidades exóticas.

Urgentemente, precisa-se de soluções para o cotidiano nacional.

Racionalizar os serviços públicos.

Vigiar os políticos.

Ouvir o eleitorado por meio da democracia direta.

A representação popular – o avoengo mandato  parlamentar – esta esgotado.

Tornou-se um ônus para a sociedade.

Há um déficit de participação cidadã.

É preciso que as conclusões parlamentares – nos casos de grande repercussão – sejam levados à população para decisão final.

Há assuntos que interessam ao cotidiano de cada um e, por isso, devem ser resolvidos individualmente.

Assim se obterá a vontade da coletividade.

Não dá para esperar muito mais.

A tragédia bate às nossas portas.

Só não vê quem não tem olhos de ver.

Na Era Digital é estúpido postergar a aplicação da democracia direta.

Com efetiva participação, a sociedade se tornará mais consciente e os políticos mais vigiados.

Dá para romper a letargia.

É só querer.