A inclusão do município como membro do pacto federativo na constituição federal de 1988 e a consolidação da democracia brasileira18 nov, 2019 em Artigos por Fausy Vieira Salomao Faça aqui o download do artigo: Artigo Fausy Vieira Salomão
A ILHA DA GRANDE CASA DE LOUCOS18 nov, 2019 em Artigos / Cláudio Lembo por Cláudio Lembo Venid, se amos locos todos juntos* Conta o historiador Christopher Hill que, no Século XVII, inúmeras pessoas, na Inglaterra, fingiam sofrer de alguma deficiência mental. Tornara-se costume interná-las em um manicômio em Bedlam. Apesar do uso da internação dos lunáticos em hospício, o número destes mostrava-se imenso. Nas estradas e bosques do país, perambulavam pessoas que se punham a falar coisas extravagantes. Previam o futuro. Expunham os erros dos magistrados e dirigentes públicos. Lembra ainda o historiador que, agindo como dementes, os bufões da Corte diziam aos soberanos verdades proibidas às pessoas comuns. Agiam os bufões como verdadeiros conselheiros dos reis e rainhas. Conclui o historiador que, quando os bufões foram afastados, os equívocos dos dirigentes tornaram-se maiores. Não havia quem censurasse os equívocos. Uma surpreendente afirmação expende o historiador inglês: Muitos fingiam-se de loucos. Assim podiam expor ideias políticas de oposição aos governantes. Estas censuras, exposta por pessoas normais, seriam objeto de severas penas. Dai os mais sagazes fingirem-se de loucos para livremente exporem, nas praças e nos templos, discursos proibidos aos considerados normais. Assim, a demência, na Inglaterra do Século XVII, tornou-se em veículo político. Criou espaço para novas concepções religiosas e, inclusive, governamentais. Oportuno lembrar que todos estes episódios se verificaram como antecedentes da Gloriosa Revolução Inglesa. Ridículo e escarnio, fazer papel de louco, foram considerados, naqueles tempos, dos melhores instrumentos para polemizar. As constatações elaboradas pelo historiador conduzem, sem maior esforço, a uma comparação inevitável. Estaremos, no Brasil, também utilizando a prática avoenga dos ingleses na ação política? Ou seja, muitos se fazem de loucos para poder agir e expor as mais estranhas colocações. Terá se tornando o Brasil, como a velha Inglaterra, em uma grande casa de loucos. É possível. Para aquilatar esta possibilidade, basta ler um jornal ou assistir um noticiário de televisão. Os bufões de todas as espécies estão presentes. Falam tolices sem qualquer censura. Fazem-se de loucos. Como diria o homem do Eclesiastes: Não há nada de novo debaixo do sol. O Brasil do Século XXI emita os ingleses do Setecentos. Temos falsos loucos a toda prova. Referencia. Hill, Christopher – El mundo transtornado – Siglo XXI – Espanha – 1983 *W.Erbery in obra citada
COMO CONHECER UM POPULISTA4 nov, 2019 em Artigos / Cláudio Lembo por Cláudio Lembo Yo ya no soy, yo soy un pueblo.* Uma dificuldade para os cientistas políticos: identificar com clareza um populista. Todos sabem ser o populista um demagogo. Com palavras, busca conquistar simpatizantes e solapar instituições. Os populistas mostram-se endêmicos na América Latina. No entanto, a partir deste Século XXI, tornaram-se presentes por toda a parte. Onde existem instituições democráticas, eles se apresentam aos pleitos. Com suas arengas, conquistam votos. Depois, todos sabem o que acontece. Agarram-se ao Poder. Avançam por todos os espaços. O tema – populismo – tornou-se recorrente na literatura especializada. Colocou-se como objeto de análise em trabalhos acadêmicos. Um autor mexicano, Enrique Krauze, em cuidadoso texto, se deu ao trabalho de arrolar o Decálogo do Populismo. Pela contemporaneidade e cuidado na elaboração, o mencionado Decálogo merece ser difundido. É o que se faz, a seguir: Decálogo do populismo. 1. O populismo exalta o líder carismático. 2. O populista usa e abusa da palavra: se apodera dela. 3. O populismo fabrica a verdade. 4. O populista, em sua variante latino americana, utiliza do modo discricionário os fundos públicos. 5. O populista, uma vez mais em sua variante latino americana, reparte diretamente a riqueza. 6. O populista promove o ódio de classes. 7. O populista mobiliza permanentemente os grupos sociais. 8. O populismo busca um “inimigo exterior”. 9. O populismo despreza a ordem legal. 10.O populismo mina, domina e por último domestica ou cancela as instituições e liberdades democráticas. Alterações, observações e acréscimos podem ser feitas às dez regras formuladas acima. Certamente, porém, elas permitirão uma oportuna reflexão sobre o tema. Ele está presente por toda a parte. Não há sociedade imune à corrosão populista. O Brasil não se encontra imune. Referências. Krauze, Enrique – El Pueblo soy yo – Debate – Mexico – 2018. *Hugo Chávez