Arquivos Mensais: setembro 2018


NOVA MODA DE AÇÃO POLÍTICA

Os métodos de pressão política contam com grande variedade de formas.

Algumas são comuns a todos os povos.

As passeatas são o exemplo mais constante.

Todas as sociedades saem em passeata para protestar.

Aqui e por toda a parte.

Maneira comum é, ainda, o abraço em torno de um monumento ou prédio público.

As pessoas se reúnem e de mãos dadas colocam-se no entorno de um determinado bem.

Os apitaços são conhecidos por toda a parte.

Sibilar é maneira de chamar atenção e irritar a autoridade.

Os panelaços, surgidos na Argentina, estenderam-se para outras latitudes.

Indicam panelas vazias e paciências a transbordar de indignação.

Há os exemplos clássicos:

A greve, o lockout, o uso de tarja de determinada cor para apontar posicionamentos.

No Paraguai, explodiu uma nova e inusitada maneira de protestar.

Trata-se do escrache.

Os opositores de uma autoridade, para demonstrar sua indignação, reúnem-se em grupos, em frente da residência da figura-alvo.

Gritam e escracham, isto é, lançam frases e dísticos sobre as paredes do imóvel.

É ato de violência moral e, por vezes, física.

Demonstra, a saciedade, a contrariedade causada pela personalidade atingida.

escrache tem um componente de violência.

Não se coaduna com as boas práticas democráticas.

Cansados de desmandos, os povos descobrem formas novas de protestar.

As clássicas não surtiram efeitos.

Seria bom que a moda paraguaia – o escrache – não se espalhasse pelo Brasil.

Já estamos escrachados demais.

 

 

 

 

Referência.

Escrachar: 2 – desmoralizar (alguém) revelando seus desígnios ocultos; repreender, passar descompostura, esculachar, esculhambar. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa – Editora Objetiva. Rio de Janeiro – 2001

 

Escrachar: tr. Coloq. Arg. Y Ur. Romper, destruir, aplastar. Dicionario de laLenguaEspañola – Real Academia Española 22º edicion – 2001.


SER LIVRE

Em sofisticados ambientes acadêmicos ou em simples rodas de amigos, um tema é comum.

A democracia e suas fragilidades.

Todos estão de acordo em um ponto: a democracia é o regime da liberdade.

Aí esta sua fragilidade.

Paradoxalmente, a liberdade, seu principal atributo, fragiliza à democracia.

As pessoas, durante séculos, viveram sobre o manto do dogma.

A autoridade oferecia sua verdade e esta era absoluta.

Valia para a autoridade religiosa e se expandia para a civil.

Os meios de comunicação eram precários.

Apenas a imprensa divulgava notícias e opiniões.

Os jornais, por sua vez, eram lidos por pequenos grupos sociais, quase sempre colocados no vértice econômico.

Ainda assim, como hoje, toda mídia, mostrava-se parcial e preconceituosa.

A grande massa permanecia marginalizada e temente de uma única denominação religiosa.

Nada de livre pensar.

Ao contrário, valia o pensamento único e abrangente.

Dentro deste panorama, conhecemos inúmeras ditaduras.

Estas, por bem ou pela força, mantiveram o preceito da unidade de pensamento.

Um único receituário de ideias para todos os atos do viver em sociedade.

De trinta anos para o presente, tragados por uma onda universal, os brasileiros passaram a receber informações das mais variadas origens.

Nada se manteve estático.

Nenhum dogma foi preservado.

Tudo se discute.

Já não há uma religião hegemônica.

Tudo antes era decidido pela autoridade – civil ou religiosa -, hoje, ao contrário, cada um decide, por si, o seu destino.

A mudança, fruto da liberdade, é radical.

Claro que positiva.

Cada pessoa é senhora de sua existência, para o bem ou para o mal.

Conduz, contudo, a uma fragilidade pessoal.

Pensar e decidir é sempre atividade extenuante.

Cansa.

Os brasileiros – e, assim, por toda a parte – as pessoas estão exauridas de tanto decidir seus passos.

Esta exaustão se reflete no cenário político.

Aqui e por toda a parte a cidadania encontra-se perplexa e exausta.

Quer, por vezes e inconscientemente, alguém que resolva seus problemas individuais ou coletivos.

Aí o erro.

Um minuto de reflexão indicará a importância de se viver livre, sem grilhões e sem temor com as futuras chamas do inferno.

Caminhar por seus próprios impulsos é o que faz a pessoa uma singularidade.

Só os fracos precisam do suporte de condottieres.

Cada um de acordo com sua vocação é o ganho de se conviver na democracia.