Arquivos Mensais: janeiro 2019


PEQUENA VENEZA

QUIÉN PONE EL CASCABEL AL GATO?*

 

 

Os analistas políticos  precipitam-se ao examinar a Venezuela.

Historiador de renome, auxiliados por expertos em América Latina, conclui sobre o país do Orinoco:

“Venezuela é um país muito mais complexo e original do que se permite supor, …”

A afirmação altamente aplicável à comunidade venezuelana.

Desde seus primórdios.

Os navegadores, Alonso Ojeda e Américo Vespúcio, chegaram a Paramaribo em 1496.

Encantaram-se com o grande número de palafitas existentes na região.

Moradias dos autóctones.

Deram-lhe o sugestivo nome de Venezuela:

Pequena Veneza.

No ano anterior,Cristóvão Colombo já aportara àquelas costas.

Duplos descobridores, portanto.

A primeira complexidade na História do país caribenho.

O território não mereceu interesse imediato dos espanhóis.

Ficou à margem dos grandes interesses do Reino.

Somente em 1528, Carlos V agiu.

Concedeu as terras ocidentais da Venezuela aos banqueiros alemães Welser.

Estes preocuparam-se apenas com a busca do Eldorado.

Nada de colonização.

A Venezuela, na época  dependia de Santo Domingo e, em seguida, de Santa Fé.

Demonstração do desinteresse dos ibéricos pelo espaço venezuelano.

Somente no Século XVI iniciou-se embrionária exploração agrícola.

A colheita de pérolas tornou-se ativa.

Corsários franceses, ingleses e a cobiça de holandeses causaram desconforto com suas escaramuças.

Em 1728, criou-se a Real Companhia Gupuzcoana de Caracas.

A plantação de cacau gerou surto de progresso.

A Venezuela tornou-se a primeira produtora mundial do fruto.

A agricultura de subsistência mantinha-se insuficiente.

Desprezível.

A colônia permanecia pobre.

Caracas impressionava pela sua cultura.

Os visitantes registravam o dinamismo da cidade.

A pobreza, no entanto,  a rodeava.

Humboldt, o sábio alemão, em visita, afirmou ser a cidade urbe ilustrada.

Aberta ao mundo.

Caracas, realmente, deu à América Latina figuras históricas de relevo.

Andrés Bello, o jurista, um caraquenho.

Bolívar, o libertador, formou-se na cidade.

Rico latifundiário viajou pela Europa.

Permaneceu grande tempo na Inglaterra.

O liberalismo inglês o influênciou.

O Libertador, no entanto, admirava governos centralizados.

Autoritários.

Flagrante incongruência.

A complexidade da política venezuelana – sempre presente em sua História – possui  traços desde os combates pela independência.

Duas personagens se digladiaram, desde logo.

Miranda, militar com passagem pelos exércitos espanhóis, e seu discípulo Bolívar.

A primeira vitória do Libertador.

Miranda colocado no ostracismo.

Batalhas extremamente ferozes pela independência.

A ordem: não capturar espanhóis.

Deviam ser mortos.

A determinação cumprida.

Todos os meios para atingi-la utilizados.

Bolívar deu armas aos escravos, por ele libertados.

Lançou-os contra os antigos senhores.

Aliou-se a caudilho temido pela coragem e violência, Páez.

Após a morte de Bolívar, em 1830,  Paez tornou-se presidente da Venezuela várias vezes.

Autodidata, mostrou-se duro caudilho.

Exigia, acima de tudo, disciplina à sociedade.

Consta que Bolívar morreu profundamente desiludido.

Teria, no momento derradeiro, afirmado:

La América es ingovernable …

El que sirve una revolucion ara el mar.”

A elite venezuelana concebeu, nos anos seguintes, república aristocrática.

Falsamente liberal.

Inteiramente desassociada de graves problemas sociais.

Uma grande farsa.

Zarzuela com mau enredo.

Hegemonia de liberais clássicos, conservadores e caudilhos.

Governantes com total ausência de legitimidade popular.

Eleições por via indireta, por fórmulas esdrúxulas.

Golpes militares.

Esta situação perdurou até 1958.

Neste ano partidos venezuelanos assinaram um Pacto.

Participaram, entre outros,  Copei, democrata cristão, União Republicana Democrática, confederações de trabalhadores, empresários, Juntas Patriotas.

Deixaram de assinar os sociais democráticos.

A este deram o nome de Ponto Fixo.

O grande artífice do Ponto Fixo: Romulo Betancourt.

Os pontos fundamentais do Pacto:

  • Defesa da constitucionalidade,

 

  • Direito de governar de conformidade com os resultados eleitorais,

 

  • Governo de unidade nacional, com programa comum mínimo.

     

Betancourt afirmou, quando da assinatura do Ponto Fixo:

“Só uma frente civil unida constituirá um obstáculo insuperável para uma experiência totalitária”.

Precisa a antevisão do autor do Pacto Ponto Fixo.

Após sua celebração, ocorreram eleições livres e democráticas na Venezuela.

Os mecanismos democráticos funcionaram.

O interior dos governos dizimado pela corrupção.

Dirigente integrante da elite intelectual afirmou amargamente:

O político está acima da política.

Com esta visão personalista, prosseguiu a caminhada do País.

Vieram eleições e golpes de Estado.

Sucederam-se governantes eleitos e ditadores.

Por mero registro, cita-se Carlos Andres Perez, Octavio Lipage, José Velasquez e Rafael Caldeira.

Carlos Andres Perez contou com dois mandatos.

No primeiro, conheceu a riqueza do petróleo.

Tudo correu bem.

O segundo mandato foi desastroso.

O preço do petróleo caiu internacionalmente.

Aconteceu o Caracaço, em 1982.

Revolta popular de grande violência.

O presidente encontra-se em Davos.

Ao retornar, correu perigo de vida.

As estradas, entre o aeroporto e o palácio,  tomadas por populares revoltados.

Perez saiu ileso.

Deu-se, com o correr dos anos, o inevitável.

Em futuro próximo, em eleições presidenciais diretas, elegeu-se Hugo Chaves.

Ligação direta povo e governante.

A elite venezuelana não aceitaram.

Pedro Carmona, presidente da Federação das Câmaras empresariais, politicamente despreparado, pratica golpe de Estado.

Brevíssimo governo: 24 horas.

Assumiu plenos poderes.

Interviu no Poder Judiciário.

Foi uma chanchada.

O sucedeu Diosodado Cabello.

Outras 24 horas de exercício do Governo.

Chaves, liberado da prisão, retorna ao cargo de presidente.

Começa a corrida ao bolivarianismo.

O socialismo do Século XXI.

Retorno aos ideias centrais do Libertador.

Bom recordar:

Bolívar sempre se mostrou autoritário.

Concebeu a presidência perpétua.

A instituição figura em Constituição por ele elaborada para a Bolívia.

Outros fatos são presentes dos contemporâneos.

Luta externa contra os Estados Unidos.

Combate interno contra a miséria endêmica.

Alterações constitucionais por muitos consideradas bizarras.

Chaves, carismático, morreu.

Seu sucessor, caminhoneiro sindicalista, não possui  carisma.

Mostra-se astuto.

Os acontecimentos, porém, evoluíram com grande velocidade.

A eterna luta voltou a explodir.

Difícil antever o futuro.

As milícias bolivarianas em conjunto com as Forças Armadas serão capazes de preservar Maduro no Poder?

É incógnita de difícil solução.

Entender a Venezuela é tarefa complexa demais para o observador a distância.

É aventura de destino incerto.

No presente, como no passado: conflito entre a massa desvalida e minoria economicamente emancipada.

Impossível prever, a breve prazo, o desfecho.

 

 

Referências.

*Dito popular in Dichos y proverbios – Diaz, José Luis Gonzalez – Edimat – Madrid – 2013

(QUEM PÕE O SINETE NO GATO?)

Polis – Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado – Editorial Verbo – Lisboa – 2000.

Williamson, Edwin – Historia de América Latina – Fondo de Cultura Económica- Mexico – 2013.

Chevalier, François – América Latina – Fondo de Cultura Económico – Mexico – 2005.


PIRATININGA, A VERDADE*

 

 

Na América,

todo escrúpulo é fora de proposito… **

Uma História incorreta.

A do nascimento da cidade de São Paulo.

Historiadores do passado repetem inverdades a todo tempo.

Meios de comunicação, de hoje,reberram.

Nenhuma corrigenda.

Explica-se:

A História foi escrita pelos invasores.

Dominavam a escrita.

A inverdade se expressa na afirmação:

25 de janeiro,

aniversário da

Fundação da Cidade de São Paulo.

No agora centro histórico da cidade, erguia-se o aldeamento indígena de Piratininga.

Entre rios.

O planalto era intensamente povoado.

Nele viviam nossos ancestrais, os tupinambás.

Tibiriçá, o cacique.

Mantinha fortes vínculos com João Ramalho.

Um lançado*** que, há mais de quarenta anos, em 1554, vivia na Borda do Campo.

Hoje,  Santo André da Borda do Campo.

Existia, pois, um conglomerado humano nos altos dos rios Tiete, Tamanduateí e Anhangabaú.

No dia 25 de janeiro de 1554, graças ao apoio de João Ramalho,  celebrou-se missa no outeiro.

Por determinação do Padre Manuel da Nobrega, no local, abre-se escola de alfabetização.

Aqui, sim, o registro fiel.

Não pretendiam implantar uma aldeia.

Esta já existia.

Numerosa sua população.

Os registros indicam: instalaram uma escola.

Dia 25 de janeiro, data comemorativa da conversão de Paulo de Tarso.

A verdade:

João Ramalho, o grande apoiador dos jesuítas no planalto.

Colocado, porém, em posição subalterna por múltiplas razões.

A primeira –  escandalizava Nóbrega – a presença das muitas índias em sua vida.

Convivia com muitas mulheres.

Uma irmã, outra irmã.

Depois, outra mais.

Um polígamo por excelência.

Tornou-se progenitor de imensa prole.

Os filhos seguiram os hábitos do pai.

Nóbrega, o jesuíta, sentiu repulsa por figura, a seu ver, abjeta.

O pragmatismo, no entanto, venceu a repugnância.

Pecador e confessor fizeram acordo.

Cada um prosseguiu com suas visões do mundo.

A conjunção de esforços – entre o pecado e a virtude – permitiu se erguesse a escola, no hoje Páteo do Colégio.

Em carta, o jesuíta  aventou solução extrema para vencer seus escrúpulos:

Um indulto a ser concedido pelo Papa.

As mancebias seriam perdoadas.

O perdão, ao que se sabe, não aconteceu.

João Ramalho,  varão ativo, deu origem ao mestiço.

Desejaram os jesuítas catequizar o gentio.

Recuperar o lançado João Ramalho.

Não conseguiram seus intentos.

Ao contrário, paulistas e jesuítas se digladiaram até o extermínio.

Interesses econômicos superaram a possibilidade de eventual convivência.

Ambos desejavam os índios como parceiros.

O jesuíta, como trabalhadores nas reduções.

O paulista, como parceiros nas entradas sertão adentro.

Conflitaram.

Desta matriz, nasceu o melhor de São Paulo.

O espírito indomável de luta.

 

 

Referências.

*Piratininga = o peixe a secar, de pira= peixe, tininga= secar, seco, enxuto in Glossário Etimológico Tupi/Guarani – Leon F. R. Clerot – Edições do Senado Federal – Brasília – 2011.

**Carta do Padre Luís Brandão, em 1621 in 500 anos de educação no Brasil – Autêntica – Belo Horizonte – 2000.

*** lançado: termo usado, por Maria Beatriz Nizza da Silva e o. In Nova História da Expansão Portuguesa – Editorial Estampa – Lisboa – 1992, para indicar os náufragos, degredados, desertores e expurgados dos primeiros tempos da colonização.

Serrão, Joel – Dicionário de História de Portugal – Livraria Figueirinhas – Porto – 1985.

Charles E. O’Neill, S.J. e o. – Diccionário Histórico de la Compañia de Jesus – Bibliográfico – temático – Institutum Historicum S.I – Roma – 2001.

Nóbrega, Manuel da – Obra Completa – Edições Loyola – São Paulo – 2017.


CUBA, SUA NOVA CONSTITUIÇÃO

A influencia de Espanha foi em Cuba, criadora e limitada, útil e funesta*

 

 

 

Nos últimos anos,  a presença de Cuba no noticiário foi extensa.

Após a vitória da guerrilha contra Fulgêncio Batista, os cubanos procuraram exportar suas técnicas de ação para outros povos.

O caso mais emblemático ocorreu na Bolívia.

Lá,  movimento de guerrilha foi dizimado por forças militares locais, assistidas por camponeses andinos.

Apesar desta presença de Cuba no noticiário, poucos conhecem pormenores da História da pérola das Antilhas.

Esta é amarga e repleta de atrocidades.

O imenso império espanhol ruiu.

Só restou, em determinado momento, a ilha caribenha.

Cuba foi o último espaço a se libertar da Espanha.

No Congresso do Panamá, em 1826, Bolívar imaginou coroar sua trajetória com a libertação de Cuba.

Não agiu, porém.

Até a efetiva independência da ilha, com a intervenção dos Estados Unidos contra a Espanha, em 1898, aconteceram situações anômalas.

Os Estados Unidos, como fizera com o Alasca, desejou comprar a ilha de Cuba.

Os laços econômicos dos fazendeiros cubanos com os proprietários sulistas dos Estados Unidos apresentavam-se sólidos.

Este vinculo permitiu, inclusive, o tráfego escravagista entre as duas áreas geográficas.

A Guerra Civil americana, com o fim da escravidão, teria impedido as negociações com a Espanha.

É conhecido o manifesto Ostende (1854) da diplomacia norte-americana.

O documento registra que, caso a compra de Cuba não se concretizasse, os Estados Unidos teriam o direito de arrebata-la da Espanha.

O incidente com o encoraçado Maine deu origem à guerra entre americanos e Espanha.

Esta nave – Maine – se encontrava atracada no porto de La Habana.

Misteriosamente explodiu.

Morreram 260 marinheiros.

A ilha sofreu invasão por tropas dos Estados Unidos.

Os patriotas cubanos apoiaram os norte-americanos em sua guerra contra a Espanha.

A vitória, com a independência concedida à ilha, no entanto, não atendeu o orgulho nacional cubano.

Os americanos obtiveram, nesta ocasião, a base de Guantánamo.

Os cubanos submeteram-se à Emenda Platt.

Esta permitia a intervenção dos Estados Unidos nos assuntos internos do novo Estado nacional.

Surgiam, a partir de então, inúmeros governantes escolhidos em eleições de duvidosa regularidade.

Muitas vezes, os governantes se utilizaram da violência para manter o Poder.

A ditadura de Gerardo Machado levou à Revolução de 1933.

Machado foi substituído por Carlos Manuel de Céspedes.

Céspedes, em seguida, derrotado por um sargento, Fulgencio Batista.

Neste meio tempo, em razão da elevada tradição cultural cubana, figuras ilustres surgiram.

Entre as históricas, oportuno recordar José Martí.

Martí, áspero combatente nacionalista, foi feroz inimigo da monocultura da cana de açúcar.

Os estudantes da Universidade de La Habana, por sua vez, sempre se mostraram altamente politizados.

Seguiram o exemplo do movimento estudantil surgido em Córdoba, Argentina.

Em 1925 funda-se o Partido Comunista.

Esta agremiação não teve grande desenvolvimento.

O pensamento dominante era o aprismo peruano.

Consistia esta doutrina no marxismo em língua espanhola, conforme concepção de Haya de la Torre.

Os atuais dirigentes cubanos emergiram com a derrota de Fulgêncio Batista, em seu segundo governo.

A  guerrilha conseguiu vencer tropas regulares.

A partir da vitória contra Batista, passado algum tempo, implantou-se na ilha regime que pretendia conceber o Homem Novo:

Um homem livre de ambições pessoais, de cobiça por bens materiais, disposto a partilhar com semelhantes uma comunidade justa.

Segundo alguns, trata-se do eterno milenarismo próprio dos ibéricos.

A crença na possibilidade de um período de justiça, felicidade e paz.

Oportuno recordar o sebastianismo dos lusos e brasileiros.

Os novos governantes convocaram uma constituinte.

Iniciaram a construção da legalidade socialista.

Em 1976, um plebiscito aprovou, em 24 de fevereiro, uma Constituição.

O documento elaborado por lideres comunistas veteranos e baseada na então União Soviética.

Esta Constituição de 1976, agora, os cubanos resolveram derrogar.

Novo documento constitucional mereceu outorga.

Ele mantém os elementos basilares da anterior carta.

Em seu preambulo declara expressamente:

Guiados (os cubanos) pelo mais avançado pensamento revolucionário, anti-imperialista e marxista cubano, latino-americano e universal, em particular pelo ideário e exemplo de Marti, Fidel e das ideias de emancipação social de Marx, Engels e Lenin.

A terminologia do mesmo preâmbulo – extremamente extenso – permanece com teor idêntico ao anterior.

Apenas para gizar, fica expresso que os cubanos estão

Convencidos de que Cuba no volverá jamais ao capitalismo como regime sustentado na exploração do homem pelo homem e que só no socialismo e no comunismo o ser humano alcança sua dignidade plena.

Não há, pois, aberturas maiores para qualquer espaço à livre empresa.

As concessões são mínimas.

Insignificantes.

A parte propriamente jurídica da nova Constituição apenas reafirma o contido em seu preambulo.

A legalidade socialista é preservada em seu todo.

Equivocadas, portanto, as notícias veiculadas dando informações sobre aberturas para o capitalismo.

Trata-se de leitura errada ou de má-fé.

Ambas as hipóteses desprezíveis.

Difícil a compreensão do fenômeno político cubano.

Quando das grandes crises econômicas, o governo de Cuba permitiu a imigração maciça da classe média do país.

Permaneceram em Cuba camponeses e o proletariado urbano.

Para estas duas categorias sociais, ocorreram ganhos.

A extinção do analfabetismo.

A melhoria do sistema de saúde.

A preservação de empregos.

Surgimento de patriotismo, antes inexistente.

Torna-se, em consequência, altamente improvável grandes mudanças políticas em Cuba.

Permanece o imobilismo social.

A sacralização dos dirigentes.

O desprezo aos anglo-saxões.

Cuba tornou-se bom laboratório  para os analistas:

Para começar, a  falta de classe média leva a ausência de reivindicações.

Sem estas, tudo permanece socialmente estático.

Cabe provar.

Boa tarefa para os iniciados.

 

 

 

Referências.

*Calderón, Francisco Garcia – Las Democracias latinas de América – La Creacion de un continente –  Biblioteca Aycucho – Caracas – 1979.

Williamson, Edwin – História de América Latina – Fondo de Cultura Económica – México – 2013.

Constitución de la República de Cuba in Asamblea Nacional Del Poder Popular, República de Cuba – www.parlamentocubano.gob.cu.

 Houaiss – Dicionário da língua portuguesa – Editora Objetivo – Rio de Janeiro – 2001.


NATAL, COM PRESÉPIOS

Epifanía, Epifanía, tutte le feste le porta via*

 

 

Termina o período natalino.

O indicativo deste acontecimento, a chegada dos reis magos.

Dia 6 de janeiro, comemora-se a Epifania.

A Epifania, na tradição cristã, aponta a manifestação de Deus na Terra.

O ato ocorre na presença dos magos.

Estes surgem no Evangelho de Mateus.

No Oriente, na época do nascimento de Cristo, os magos mereciam grande respeito.

A visita destes ao recém nascido revela subordinação e honraria.

Como magos – depois na tradição transformados em reis – oferecem a Jesus os símbolos do Poder.

O ouro, retrata a riqueza dos soberanos, o incenso, forma de honrar a divindade, e a mirra, essência para a preparação dos mortos.

A mirra, na simbologia religiosa, antecipa a morte futura de Cristo.

Os magos demonstram profundo respeito  à divindade.

Grande veneração.

Chegaram a Jesus por caminho indicado por

Herodes.

No retorno, apontariam ao governante romano onde se encontrava o recém nascido.

Herodes pretendia sua morte prematura.

Não voltaram os magos, porém, ao romano.

Não traíram àquele a quem prestaram homenagens.

Rico momento de ensinamento, particularmente aos políticos.

Baltazar, Melquior e Gaspar, os três magos, segundo a tradição,chegaram à Belém na noite de 5 para 6 de janeiro.

Os presépios – representações do nascimento de Cristo – começam a ser desmontados, após esta data.

As figuras das imagens recolhidas.

Aguardarão futura instalação no próximo Natal.

É  tradição dos povos cristãos.

Sequer os rigorosos adeptos da ausência de imagens se opõem a esta figuração.

O presépio, na sua singeleza, aponta para valores caros a todas as sociedades:

  • a sacralização do nascimento,

  • a família reunida,

  • a simplicidade.

As  famílias brasileiras montam presépios em seus lares.

Houve época que se  colocaram obstáculos a esta tradição secular.

Não era bem acolhida por adeptos da Teologia da Libertação.

Antiga e prezada, porém, manteve-se.

O surgimento do presépio tem data certa:

  • o Natal de 24 de dezembro de 1223.

O autor da ideia:

  • Francisco de Assis.

 Local do primeiro presépio:

  • Úmbria, Itália, Castelo de Greccio.

Aqui, no Brasil, as lapinhas nordestinas ou os presépios do sul, espalham-se por todo o País.

As singelas figurinhas dos presépios indicam criatividade.

Amor ao singelo.

Criam laços de fraternidade.

Registram elo entre gerações.

Bom, manter tradições.

Essência de um povo.

 

 

 

 

Referência.

Bettini, Maurizio – Il Presepio – Einaudi – Verona – 2018.

Champlin, R.N – Enciclopédia de Bíblia – Teologia e Filosofia – Editora Hagnos – São Paulo – 2001.

Poupard, Paul – Diccionario de las Religiones – Herder – Barcelona – 1987.

*Tradução livre: Epifania, Epifania leve embora todas as festas.


ACREDITAR É PRECISO

Um novo ano.

Esperanças renascem.

Bom ser assim.

As pessoas vivem de expectativas.

Esperam sempre o melhor.

É o que permite a todos se manterem vivos.

Acreditar e voltar a acreditar.

Os ciclos contínuos da existência.

Sofreram muito os brasileiros nos últimos anos.

Desemprego.

Ausência de perspectivas.

Moralidade pública pervertida.

Má administração.

Ausência de projetos.

Futuro sombrio.

Basta!

Declararam os brasileiros.

Usaram poderosa arma.

A menos inodora.

A mais eficaz.

O voto.

Tão simples.

Um apertar de botões.

Mudam-se personalidades.

Horizontes.

Trajetórias.

Os brasileiros acolhem muitos defeitos.

É certo.

Um, porém, não possuem.

A busca de soluções pela violência.

Sem violência trilharam pelo socialismo tropical.

Com tranquilidade, retornaram ao liberalismo.

Sensatez.

Nada de extremos.

Foge-se ao risco total.

Jamais nada igual à Revolução Francesa.

Muito menos à Guerra da Independência dos Estados Unidos.

Longe de nós os pogroms nazistas.

Os êxodos para os gulags soviéticos.

Decidimos com equilíbrio.

Muito bom senso.

Pode parecer enfadonho.

Preservar a pessoa humana, porém, é essencial.

Esta a missão superior dos governos.

Espera-se:

permaneça, no Brasil, a conduta de equilíbrio,

nos próximos quatro anos.

Vale para a oposição, indispensável no sadio jogo político.

Também para a situação.

Esta deverá se demonstrar capaz e sensata.

A ambas – situação e oposição– caberá preservar as tradições de povo  amante da  paz.

Evitar o rancor.

Procurar à solidariedade.

Manter a liberdade.

Solidificar os direitos das pessoas.

Assistir os três poderes da República agindo em  harmonia.

O Judiciário efetivamente imparcial.

O Executivo eficiente.

O Legislativo produtivo.

É o que se espera.

Para a busca do bem comum.

Só os tolos pregam o pior.

A cizânia não prospera entre os brasileiros.

É de nossa História.

Basta esperar.

E se constatará.

Ainda uma vez.

Os brasileiros operam a política com sabedoria.

Lição para todos os povos.

 

 

 

 

Referência.

Casimiro de Abreu – Canção do Exílio – Poesias Completas – Saraiva- São Paulo – 1954.