O ERRO DE LULA


No último dia 24 de janeiro, Lula conheceu uma decisão judicial que não esperava.

Acostumado a envolver os interlocutores com gestos e palavras, esperava que seus inegáveis dotes seriam úteis na esfera do judiciário.

Errou.

As instituições permanentes possuem especificidades não encontradas no comum dos mortais.

Palavras, palavras e palavras não bastam.

O exame dos fatos são da essencialidade da prova em Juízo.

Aqui a falha de Lula.

Esperava que seu carisma atingisse os magistrados.

Estes, porém, acostumados às lides forenses, não se emocionam com palavras ou atitudes.

Lula foi condenado.

Por que esta condenação?

É produto dos enganos do líder do PT.

Envolveu gregos e troianos. Envaideceu-se.

Todos dobravam-se a sua presença.

Passou a tratar empresários – especialmente empreiteiros – como companheiros de fábrica.

Estes cinicamente aceitaram o jogo, quando, porém, a oportunidade se apresentou, foram a fora.

A colaboração premiada veio a calhar.

Com este instituto, criado legalmente em agosto de 2013, colocaram o velho líder operário em seu lugar.

Contaram tudo o que sabiam e mais alguma coisa.

Deixaram claro o envolvimento de Lula nas negociações do fatídico tríplex.

Lula – que pensava tudo poder – caiu na esparrela dramaticamente.

De repente, tornou-se titular do que não possuía.

Senhor de sonhos e mudanças arquitetônicas.

Ligaram-se operações estranhas à legalidade à  reforma da unidade habitacional.

Lula errou.

No passado, envolveu muitos membros da hierarquia católica. Intelectuais bem intencionados.  Artistas sonhadores. Companheiros de múltiplas categorias.

Ao povo, finalmente, por duas vezes, em eleições sucessivas.

Errou Lula ao imaginar que seus encantamentos envolveriam à burguesia.

Esta tem tradição em derrubar  governos e mitos populares.

Preserva sempre seus interesses.

No caso, derrubou um líder popular e manteve seus privilégios.

Muitos empresários foram condenados. Estão, porém, em suas fazendas, condomínios fechados ou casas de praia.

Sofrem pouco. Apenas a perda de alguns anéis. Os dedos – e as mãos – continuam vorazes.

Continuarão a envolver outros ingênuos sempre que necessário.

Lula errou ao aceitar o doce charme da burguesia.

Se tivesse mantido os companheiros do início da caminhada, não trocasse o martelo de cachaça por doses de refinado whisky, estaria integro.

A convivência com desiguais foi fatal.

Deixou de ser respeitado e seu tornou político vulgar.

Uma pena.

O carisma e a inteligência de Lula mereciam um final qualificado.

A burguesia venceu ainda uma vez.

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