NOSSA AMÉRICA


Muitos preconceitos herdados dos colonizadores ibéricos permearam por séculos as relações entre os povos latino-americanos. Somavam-se às idiossincrasias alienígenas as grandes barreiras naturais.

 

Assim, de maneira ingênua, lutava-se, em cada país, por posições individualistas próprias dos segmentos europeus das diversas sociedades. Procurava-se a Europa. Desprezava-se os vizinhos.

 

Nas guerras pela independência, uma invasão de idéias francesas ocupou a mente dos libertadores. Uma grande onda de erudição livresca atingiu as mentes de muitos latino-americanos.

 

Se o movimento libertário atingiu seus objetivos, particularmente o iniciado com a edição da Constituição de Cádiz, em 1812, um episódio lamentável ocorreu concomitantemente.

 

Os povos nativos, com suas notáveis culturas autóctones, assim como a população negra, foram esquecidos pelos libertadores. Permaneceram à margem do processo político e econômico.

 

A conseqüência inevitável se deu pela explosão de revoltas por toda a parte e a exclusão destes setores da população – indígenas e negros – dos assuntos políticos.

 

Os conflitos internos não resolvidos, muitas vezes, transbordavam em guerras entre Estados nacionais compostos por etnias comuns. Uma lástima, ainda porque estes conflitos, muitas vezes, eram gerados por interesses externos, dos chamados países centrais.

 

Passaram-se anos. Conflitos barrocos aconteciam nas reuniões internacionais. Nada de integração regional. Uns de costas viradas para outros. E isto por toda a América Latina.

 

Com o passar do tempo, surgiram, à revelia de posições advindas da Doutrina Monroe, fóruns regionais inicialmente transitórios e depois permanentes.

 

Os povos latino americanos, particularmente os sul americanos, começaram a se reunir e a romper barreiras históricas geradas por preconceitos estranhos às sociedades deste hemisfério.

 

As barreiras lingüísticas se romperam. O portunhol – mistura do espanhol com português – passou a ser o idioma falado por brasileiros e seus irmãos dos muitos países espano falantes.

 

Tudo se tornou diferente. Os povos autóctones passaram a ser respeitados por suas culturas milenares. As línguas indígenas, em muitos casos, tornaram-se oficiais, conforme previsão de muitas Constituições nacionais.

 

Neste cenário se desenvolve a Copa do Mundo de 2014. O latino americano explode com toda a alegria autêntica dos povos jovens nas ruas brasileiras.

 

A FIFA, com sua soberba suíça, jamais poderia imaginar o imenso deslocamento de pessoas de todas as partes do Continente para os estádios das várias cidades do Brasil.

 

Uma festa de confraternização. As cores e os hinos alegres e festivos, próprios desta América, empolgam cidadãos de todas as idades. Esta empolgação atinge os campos de futebol.

 

Uma forma sadia, leve e descontraída de jogar nasce espontaneamente, deixando as velhas escolas, repletas de ferrugem histórica, marginalizadas e, por vezes, humilhadas.

 

A Copa do Mundo – quem diria? – foi um instrumento para melhor aproximação dos povos latino americanos. Muito bom, mesmo!

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