ENFADONHA REPETIÇÃO


É estranho. Não passará, porém, despercebido do observador atento. Vive-se a pré-campanha eleitoral para a presidência da República. Tal como aconteceu em 2006. 

Naquele ano, como neste ano de 2014, forças estranhas se movimentam e as ruas tornam-se cenário de atos incompreensíveis. Greves do transporte coletivo. Invasões discriminadas.
A presença de figuras da má vida em atos públicos, de maneira estranha e inaceitável. A democracia nativa conta com um componente próprio e muito característico: o malfeitor público.

Ele é capaz de gerar rebeliões em presídios. Fomentar inconcebíveis cessações de atividades fundamentais. Gerar situações anômalas em abrigos de menores.

Em 2006, como hoje, os acontecimentos se repetem com uma irritante e monótona configuração. Agora, os meios de comunicação avançaram. Naquela oportunidade todos os ônus caíram sobre o Executivo.

Não havia análise isenta. Ao contrário, uma saraivada de inverdades agrediu a administração pública estadual. Melhorou, pois, neste aspecto, a democracia brasileira.

Já não há um partido de puros e angelicais integrantes. As demais agremiações, naquela época, eram consideradas agentes do demônio. Indignos de qualquer consideração.

Faz parte de nossa cultura. Em determinados períodos da História alguns são elevados aos altares – ou são gerados nas sacristias – e depois se envolvem em pecados inominados. Nefandos.

Os pais dos monstros se calam. Não surgem em público para, batendo no peito, afirmar: pequei e confesso que pequei. Ao contrário, silenciam, como não tivessem nenhuma culpa.

Sofre a coletividade. Por isto, é bom que os meios de comunicação passem a informar sobre todos os ângulos da vida política. Sem deformações. Ninguém pode indicar caminhos. Nenhuma instituição.

Na democracia, cada cidadão deve ser o único agente a captar as múltiplas verdades e, entre elas, optar pela verdade gerada pelos valores que orientam sua vida particular e ações públicas.

Ora, o voto é uma ação pública por excelência. Gera linhas de conduta para os escolhidos. Expõe a vontade oculta da cidadania. Possui um traço cívico de natureza única.

Há muitas formas de expressar a condição de pertencer a uma determinada nacionalidade. O voto, concedido aos nacionais, é a melhor forma dos cidadãos demonstrarem seu efetivo vínculo com o País.

Daí a importância da atenção de cada um para as ocorrências – muitas vezes de natureza criminosa – que vão se desenrolando por todo o Brasil e de maneira particular em São Paulo.

Os agentes dos atos de 2006 – quando havia eleições presidenciais – são os mesmos de hoje. Enfadonhamente se repetem os fatos. O cachimbo faz a boca torta. E muito.

Deve o eleitor colecionar todas as notícias que surgem a respeito de determinados figurantes, algumas vezes ocultos aparentemente, presente nas manifestações e reuniões de determinados segmentos.

Encontrará, ao final de sua busca, com clareza os autores costumeiros dos sofrimentos da população. O pior é que estes se apresentam como anjos, salvadores dos oprimidos.

É mero cinismo. Ou o uso de todas as artimanhas para atingir seus objetivos. Machiavel – nestas terras – seria mero aprendiz. Sentiria constrangimento em perceber que sua obra – O Príncipe – é cartilha em terras tropicais.

Pena que os detratores de ontem não tenham coragem de afirmar: Fomos injustos ao retratar os idos de 2006. Lamenta-se. Mas o passado nem Deus muda.  

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