A MENTIRA COMO DISCURSO POLÍTICO


A leitura desapaixonada das notícias da administração pública e dos assuntos políticos conduz a uma profunda depressão. O cidadão comum sente-se ofendido. É menosprezado.

 

Os administradores públicos parecem que, diariamente, procuram criar fatos absolutamente inverossímeis. Falsos. Assemelham-se a ilusionistas sem qualidade.

 

Ninguém é veraz. Os militantes de todos os partidos parecem concorrer ao prêmio concedido ao maior mentiroso. Quem disser a maior inverdade será o vitorioso.

 

Falta água. Inventa-se um conflito entre os estados federados. Não se explica porque outras fontes do liquido não foram obtidas. As reservas hídricas do Vale do Ribeira, por exemplo.

 

Há um silêncio sepulcral a respeito do assunto. Desde sempre, sabia-se que as reservas de água existentes, aqui no Planalto, são insuficientes para abastecer uma população tão numerosa como a do Grande São Paulo.

 

As chuvas sempre foram volumosas. O risco colocado de lado. Este ano, quando a estação chuvosa foi escassa, a tragédia aconteceu. Os reservatórios estão próximos do esgotamento.

 

Não há explicação sobre o descaso com a população. Exposições retóricas são feitas. Responsabilidades, no entanto, não são assumidas. O culpado é o outro. Jamais o autor da contingência.

 

O mesmo cenário se estende a todo o País. Os administradores públicos, eleitos ou nomeados, jamais assumem responsabilidade por seus atos. Vive-se uma sociedade de farsantes.

 

Esquecem os titulares de cargos eletivos que, após grandes angústias, a sociedade reconquistou o regime democrático. Neste a transparência é princípio básico. Inafastável.

 

Toda a vida administrativa é acompanhada com atenção e sensibilidade pela sociedade. Nada passa despercebido. Cada movimento do administrador público é julgado e devidamente anotado pelo cidadão.

 

Já foi o tempo em que a censura proibia a informação plena, repleta de pormenores. Agora – apesar das censuras econômicas – as múltiplas formas de comunicação permitem o conhecimento da realidade.

 

Não dá para esconder a verdade. O esforço é inútil. Aos poucos, os cenários reais aparecem e ai o julgamento da comunidade é mais severo. Parece que um amoralismo se espalhou por todos os setores.

 

As personalidades públicas brasileiras se transformaram em cínicos. Mostram desprezo pelas convenções morais. São descarados. Falta-lhes vergonha na cara.

 

Praticam os mais ignóbeis atos. Realizam as mais inconcebíveis operações. Jamais assumem a responsabilidade por suas ações. Possuem um sentimento de desprezo pela cidadania.

 

O despudor atingiu todos os três Poderes da República. Torna-se difícil conviver com esta situação de menoscabo. Os institutos de pesquisa da opinião pública não se preocupam em captar o humor da sociedade.

 

Apenas buscam recolher a vontade popular sobre os candidatos aos vários postos eletivos. No entanto, aquele que convive com o cidadão das ruas sabe da existência de um profundo desconforto.

 

Uma canseira cívica envolve toda a cidadania. Os discursos sem objetividade cansaram. É preciso voltar à verdade e a respeitabilidade. Não dá para conviver com o descaramento atual.

 

Uma sociedade precisa de moralidade para sobreviver. No pântano da imoralidade, só a decadência pode acontecer.

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