A CICLOTOMIA NACIONAL E OS SEUS MALEFÍCIOS


A ciclotimia nacional e os seus malefícios.A ciclotímia é inerente ao caráter nacional. Uma verdadeira roda gigante de emoções. Vai-se da euforia insensata a mais deprimente das depressões.

 

Nada é linear na vida social dos brasileiros. Vai-se aos trancos e barrancos sem qualquer preocupação com a sensatez. O brasileiro é pautado pelos jornais televisados. Especialmente, os das grandes redes.

 

O âncora falou, é verdade. Falta senso crítico. Os debates – os poucos que ainda existem – são conduzidos por coordenadores engajados. Nada de democracia. Sempre monocórdios.

 

Este comportamento se estende a toda a sociedade. Há uma carga de autoritarismo em todas as esferas. Às vezes, esta anomalia explode de forma assutadora.

 

Ai é um Deus nos acuda. Todos, a uma só voz, falando a mesma coisa. Cansativamente, iguais. Sem qualquer traço de originalidade. Os meios de comunicação, por aqui, são monotemáticos.

 

Nada em profundidade. Falta água nos reservatórios, ninguém vai analisar o comportamento da Sabesp nos últimos anos. Não se conhece porque não foram obtidas novas fontes de abastecimento. Não se fala na insanidade do consumo mínimo de água.

 

Todos – a uma só voz – colocam a culpa pela escassez na estiagem. Nada investigativo se apresenta em qualquer veículo de comunicação. É o País do samba de uma nota só.

 

O vício se estende para todos os cenários. A reforma política, por exemplo, foi assunto exaustivo durante meses. De repente, não mais do que de repente, sumiu. Ninguém mais viu. Nem se falou.

 

Estamos, no entanto, às vésperas de um pleito geral e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Nada foi examinado pelo Congresso. Todos estão felizes com a caótica situação partidária.

 

No País, onde é preciso sempre levar vantagem, a mixórdia partidária é confortável para os titulares do Poder. Ainda porque algumas agremiações tornaram-se verdadeiras organizações de boas vidas.

 

O fundo partidário sustenta dirigentes. Permite convescotes e confere remuneração para os amigos do “boss”. Assim, todos se calam e o quebra cabeça partidário permanece.

 

Em outubro, o eleitor terá dificuldades em escolher o seu candidato, no cipoal de legendas – trinta e duas – que será oferecido a sua opção. E aqui vai uma observação.

 

Estes candidatos deverão passar pelo crivo dos partidos políticos. Estes, por seu turno, terão que levar os nomes escolhidos em convenção à apreciação da Justiça Eleitoral.

 

Esta – a Justiça Eleitoral – submeterá os nomes oferecidos a sua análise ao funil da Lei da Ficha Limpa. Os candidatos com vida pregressa, nos termos do disposto neste diploma legal, não poderão receber legenda.

 

Ora, é aqui que se oferece mais um tema à reflexão da cidadania. É admissível os partidos políticos indicarem nomes com passagem negativa nos incisos da Lei da Ficha Limpa?

 

Claro que não. Porém, os partidos não merecem nenhuma punição por agirem contra a lei e os bons costumes. Como este tema não interessa aos interessados diretos, nunca foi objeto de reflexão. Na vizinha Colômbia, os partidos, quando se assemelharem a máfias políticas, conforme a literatura daquele país, suportam penas pecuniárias ou ainda mais severas.

 

Quando se romper o surto atual da ciclotimia nacional – a malfada Copa do Mundo de Futebol – valeria a pena trabalhar sobre a irresponsabilidade partidária existente no Brasil.

 

Vai ver ai se encontra a raiz de todos os demais inconvenientes da vida pública nestes trópicos.

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